"Não violar qualquer lei municipal, estadual ou federal;"
"Não publicar material calunioso, pornográfico, abusivo ou que invada a privacidade de alguém;"
"Ao postar uma mensagem está ciente que está sendo monitorado e que caso alguma violação seja detectada, seus dados serão enviados para às autoridades competentes;"
"O conteúdo de cada recado é de única e exclusiva responsabilidade civil e penal de quem enviou o recado;"
"O Asmetro-SN se reserva o direito de, a qualquer momento e a seu exclusivo critério, retirar qualquer mensagem que possa ser interpretada contrária às regras deste site ou às normas legais em vigor;"
"Ao participar do mural, o internauta tem conhecimento de que o conteúdo das mensagens e comentários enviados por ele através do sistema é de sua inteira responsabilidade, estando o Asmetro-SN isento de quaisquer responsabilidades pelas possíveis consequências dessas mensagens."
O Palácio do Planalto determinou ontem a divulgação dos salários dos servidores do governo federal com base na Lei de Acesso à Informação Pública, mas Legislativo e Judiciário ainda não decidiram como agir.
No dia em que o Poder Executivo divulgou decreto que regulamenta a Lei de Acesso à Informação e determina a publicação dos salários de servidores, Legislativo e Judiciário ainda não decidiram o que fazer. Ontem, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, anunciaram que vão aguardar a execução da medida pelo governo, antes de anunciar se seguirão pelo mesmo caminho. Mas o assunto é polêmico e pode levar a uma batalha nos tribunais para manter os vencimentos sob sigilo.
O regulamento da lei para o governo federal, publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU), determina que todos os rendimentos de servidores da ativa, desde o salário-base até o conhecido jeton pago a membros de conselhos de estatais, sejam publicados. A regra diz que serão públicos os ganhos de "ocupantes de cargo, posto, graduação, função e emprego público, incluindo auxílios, ajudas de custo, jetons e quaisquer outras vantagens pecuniárias, como proventos de aposentadorias e pensões daqueles que estiverem na ativa, de maneira individualizada".
Mas a publicação dos salários no Executivo só deve ocorrer, no mínimo, a partir da semana que vem, quando o Ministério do Planejamento finalizar o texto de orientação aos demais órgãos públicos sobre como o valor deve ser divulgado. Os dados ainda serão extraídos do sistema que roda os salários para publicação no Portal da Transparência. O Executivo tem 934 mil servidores da ativa, dos quais 567 mil são civis. Nos três Poderes, o teto do funcionalismo é de R$ 26.700, mas um grupo de servidores no Legislativo e no Judiciário recebe salários maiores, amparados em decisões judiciais. No Executivo, existe um mecanismo automático para travar os salários que furam o teto.
No Judiciário e no Legislativo, entretanto, a polêmica está garantida e dirigentes dos dois Poderes já declararam que a publicação de salário pode ferir a intimidade dos servidores. A própria assessoria de imprensa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) informou ao GLOBO na quarta-feira que o tema suscitará debates dos tribunais e que a publicação de salários pode até mesmo comprometer a segurança pessoal de funcionários públicos. No Senado, a direção compreende que há amparo legal para a não divulgação de salários, mas, oficialmente, a versão é que a Casa deve esperar a aplicação da regra pelo Executivo para tomar sua própria decisão.
"O Senado Federal vai esperar pela publicação do ato do Ministério do Planejamento para então convocar a Mesa Diretora e se pronunciar definitivamente sobre o tema, à luz da legislação vigente".
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), é outro que levanta a dúvida jurídica:
- É uma discussão extremamente técnica. É necessário olhar todos os aspectos jurídicos. Uma coisa é divulgar os salários dos comissionados, outra é (divulgar os) dos funcionários de carreira - disse Maia à Agência Câmara.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, defendeu a publicidade dos salários dos servidores do Judiciário. Ele não especificou se a divulgação das remunerações que ele defende atingiria também ministros, desembargadores e juízes. Ayres Britto ressaltou que se trata de uma posição pessoal e que o assunto será discutido com os demais ministros da Corte.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também comentou a polêmica, e preferiu a cautela. Para Gurgel, apesar da letra da lei ser explícita sobre a transparência ampla e irrestrita, a questão dos salários não está pacificada.
- A vigência da lei é recentíssima e isso tem que ser, enfim, devidamente analisado. Em princípio, o que a lei pretende é a transparência mais ampla, irrestrita, mas no caso específico é preciso examinar - afirmou Gurgel.
No entendimento do controlador-geral da União, Jorge Hage, a publicação dos rendimentos é legítima e não afeta a intimidade dos servidores. Ele explica que detalhes do contracheque, como dívidas com desconto em folha e outros encargos, não serão divulgados. Portanto, os dados confidenciais estariam preservados.
A publicação do salário entra no rol das chamadas ações de transparência, em que cada órgão indica espontaneamente uma série de informações, como despesas, licitações, contratos, convênios e perguntas frequentes.
O professor de Direito Público da UnB Mamede Said diz que o sigilo é a exceção. Ele lembra que deve prevalecer o princípio da publicidade, salvo em situações que envolvam a segurança da sociedade e do Estado - o que não é o caso do salário dos funcionários públicos. Para ele, seria importante divulgar uma lista de cargos e vantagens, e outra com todos os funcionários e seus cargos, funções ou benefícios para efeito de cruzamento.
- Não tem que exigir ato sigiloso, ato secreto. Isso é coisa absolutamente excepcional - defendeu Said.
O Globo 18/05/2012
Agências Reguladoras: Servidores defendem Carreira de Regulação e governo fala sobre Carreiras e Cargos Largos
A Condsef participou de uma reunião nesta quinta-feira no Ministério do Planejamento que contou também com a participação do Sinagências para negociar uma Carreira de Regulação para servidores das Agências Reguladoras. A secretária adjunta de Relações do Trabalho, Marcela Tapajós, abriu a reunião reconhecendo que a discussão sobre esta carreira não é nova no governo. As entidades reforçaram que mesmo dentro da própria política defendida pelo governo não deve haver problemas para a criação de uma Carreira Única de Regulação para os servidores das Agências. Os representantes da categoria questionaram ainda qual seria o grau de governabilidade da Secretaria de Relações do Trabalho (SRT) para garantir a manutenção do que foi negociado em outras instâncias do governo.
Frente aos debates que colocaram de um lado servidores defendendo uma Carreira de Regulação e governo falando sobre Carreiras e Cargos Largos, ficou definido que duas reuniões serão realizadas no dia 15 de junho. Uma de manhã para discutir a proposta de Carreira de Regulação e outra à tarde com argumentações do governo sobre Carreiras e Cargos Largos e seu modelo de remuneração.
No dia 28 de junho ficou pré-agendada outra reunião para tentar concluir as discussões que permeiam a carreira e remuneração dos servidores das Agências Reguladoras.
Condsef 18/12/2012
Contribuição de inativos pode ser revista, diz secretário da Previdência.
O secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo José Rolim, disse nesta quinta-feira aos deputados da Comissão de Seguridade Social e Família que é possível discutir ajustes na regra que criou a contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos.
Rolim participou de audiência pública sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 555/06, que acaba com a contribuição previdenciária de 11% sobre os benefícios dos servidores públicos inativos que excedem o teto do INSS de R$ 3916,00. Pelo substitutivo aprovado em comissão especial, a contribuição teria um desconto de 20 pontos percentuais ao ano a partir dos 61 anos de idade até ser zerada aos 65 anos.
A contribuição dos inativos foi defendida pelo secretário. Segundo ele, a intenção é compensar o fato de que muitos servidores contribuíram pouco com a previdência pública ou aproveitaram o tempo como celetistas para receber proventos integrais na aposentadoria.
Injustiças
No entanto, disse, quem obteve seu primeiro emprego no serviço público após a reforma, em 2003, vai contribuir a vida toda com 11% e ainda assim será descontado na aposentadoria, o que, para ele, é injusto. “Não concordamos com a mera extinção da contribuição, mas entendemos que é viável um debate sobre a questão. A contribuição é justa e necessária, porém eu entendo que cria algumas injustiças e leva algumas pessoas a contribuir de fato muito mais tempo do que seria necessário para pagar os seus benefícios”, argumentou
O deficit da previdência pública federal em 2011, segundo Rolim, foi de R$ 54 bilhões. Mas a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) apura um superávit de R$ 77 bilhões, pois contabiliza todas as receitas e despesas da seguridade social.
Mobilização
O deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que coordenou a audiência, disse que as entidades de aposentados têm que se mobilizar para pressionar os deputados a votar a PEC em Plenário. Ele lembrou a mobilização feita pelas redes sociais para a aprovação da PEC 270/08, que tratou da aposentadoria por invalidez do servidor público. “Usamos essa estratégia e a PEC 270 deslanchou e foi aprovada de maneira supreendentemente célere no ano passado”, lembrou.
Nesta quinta-feira, servidores de todo o Brasil voltaram a se mobilizar em mais um Dia Nacional de Lutas com paralisação de atividades. Só hoje, onze estados, incluindo o Distrito Federal (foto), enviaram informações sobre as atividades de mobilização da categoria. Houve registro de ações em Roraima, Amazonas, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Sergipe, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Ceará, Distrito Federal e Tocantins. Em todos esses lugares categorias de diferentes setores atenderam ao chamado de luta. A busca por avanços nas negociações com o governo tem sido difícil e por isso a mobilização da categoria é cada vez mais importante. As reuniões no Ministério do Planejamento têm mostrado essa necessidade de fortalecer a unidade. Ontem a Condsef participou de várias reuniões. Uma delas, que tratou da equiparação de tabelas salariais tendo por parâmetro a Lei 12.277/10, terminou outra vez sem grandes avanços. O Ministério do Planejamento se comprometeu a encaminhar para a Condsef o diagnóstico que vai mostrar cenário atual do Executivo. A entidade por sua vez protocolou uma proposta elaborada com o auxilio da subseção do Dieese para buscar a equalização das tabelas. Uma nova reunião para tratar o tema foi marcada para o dia 1º de junho.
Luta continua – A próxima ação de mobilização dos servidores será uma marcha a Brasília no dia 5 de junho. Também no dia 5 haverá uma grande plenária que reunirá representantes de toda a base do conjunto das entidades unidas em torno da Campanha Salarial 2012. Uma estrutura deve ser montada na Esplanada dos Ministérios para receber os servidores de todo o Brasil que deverão votar um indicativo de greve apontado para o dia 11 de junho. Todas as movimentações levarão em conta o andamento dos processos de negociação e retorno do governo à pauta de reivindicação dos trabalhadores. No dia 4, a Condsef fará uma plenária nacional de sua base, para levar uma proposta à grande plenária dos federais no dia 5.
Para as entidades nacionais, o processo de mobilização dos servidores está crescendo. A expectativa é de que a mobilização se fortaleça preparando todos os trabalhadores do setor público para uma grande greve geral caso seja necessário. O foco é buscar o atendimento das demandas mais urgentes que incluem reajuste nos benefícios, como auxílio-alimentação, política salarial permanente com reposição inflacionária e correção de distorções, entre outras reivindicações já apresentadas formalmente ao governo e que vem sendo negociadas, ainda sem avanços significativos, junto ao Planejamento. É justamente para garantir os necessários avanços nas negociações que a mobilização e a unidade dos servidores são cada vez mais importantes e fundamentais para alcançar os resultados e melhorias de que o setor público tanto necessita.
Cão de guarda do Palácio do Planalto, o relator da CPI do Cachoeira, deputado federal Odair Cunha (PT-MG), cumpriu à risca a missão de blindador oficial, ontem, durante reunião administrativa. A comissão aprovou a convocação de 51 pessoas, grande parte integrante da organização criminosa, e 36 quebras de sigilos fiscais, bancários e telefônicos. "Só pegou os bagres", resumiu a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Numa manobra visível para blindar o governo federal, que mantém contratos bilionários com a Delta em todo o Brasil, costurada por parlamentares do PT e do PMDB com votos de oposicionistas, o relator conseguiu, como queria desde a apresentação do plano de trabalho, restringir a investigação da construtora Delta apenas à Região Centro-Oeste. Mais: a comissão não convocou nem quebrou o sigilo do dono da empresa, Fernando Cavendish, flagrado numa das escutas telefônicas dizendo que compra um senador por R$ 6 milhões. Num grande acordão partidário, também foram poupados os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz. (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), além do ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot. Todos esses requerimentos, considerados polêmicos, só vão ser apreciados na próxima reunião administrativa, marcada para 5 de junho. Mesmo assim, conforme o deputado Odair Cunha, as convocações podem mais uma vez não serem votadas. A CPI aprovou apenas a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 10 anos das filiais da Delta em cinco unidades da Federação: Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Em relação aos executivos da construtora, a comissão se restringiu a quebrar o sigilo do ex-diretor do Centro-Oeste Cláudio Abreu.
O argumento, bastante frágil e repetido inúmeras vezes pelo relator, era de que "ainda não há indícios que justifiquem a convocação ou a quebra de sigilo da Delta no país inteiro". Ao fim da sessão, o senador Pedro Taques (PDT-MT) definiu o encontro: "Nós amarelamos". O deputado pernambucano Sílvio Costa (PDT-PE) foi mais além e ironizou. "Vossa excelência não consegue convencer uma criança de 3 anos que essa Delta não tem que ter seu sigilo aberto em todo o país."
A Comissão de Ética Pública da Presidência deverá analisar, na próxima reunião, mais uma denúncia contra o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Desta vez, a acusação envolve o uso de avião fretado pelo empresário João Dória Júnior, em outubro do ano passado, numa viagem entre a Bulgária, onde Pimentel integrava a comitiva da presidente Dilma Rousseff, e a Itália, quando se reuniu com empresários brasileiros e italianos, segundo informações do site Terra Magazine. O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), anunciou ontem que entrará ainda hoje com uma representação contra o ministro, na Comissão de Ética. No fim da tarde de ontem, o empresário informou ao GLOBO ter fretado um avião para que o ministro participasse do evento promovido por ele com empresários brasileiros e italianos. Mais cedo, João Dória havia negado ao portal Terra ter realizado o fretamento, informando que "governantes não viajam com despesas pagas pelo evento, cada um assume sua própria despesa". A assessoria atribuiu a mudança de posição do empresário ao fato dele não ter se informado com a equipe de produção do evento sobre a forma de transporte de Pimentel. Disse também que não informaria o valor pago pelo frete e que João Dória estava em reunião, por isso não daria entrevista sobre o assunto.
Ministro recebeu R$ 5,2 mil em diárias
Na viagem, de 1 a 9 de outubro de 2011, Pimentel integrou a comitiva da presidente na Bélgica e Bulgária, depois seguiu para a Itália, onde se reuniu com o embaixador do Brasil em Roma, José Viegas, e fez palestra a empresários no Seminário Bilateral Itália/Brasil, sobre as relações econômicas e a integração entre os dois países. O grupo Lide, presidido por João Dória Júnior, emitiu nota no fim da noite dizendo que fretou o voo porque o ministro estava sem acesso a avião comercial em tempo para comparecer ao evento.
Ele recebeu R$ 5.284,11 de diárias, segundo dados do Portal da Transparência, administrado pela Controladoria Geral da União (CGU).
Antes de embarcar para o Paraná, Bueno deixou a assessoria do PPS orientada a preparar a representação à Comissão de Ética. A próxima reunião do colegiado está marcada para o dia 6 de junho.
- Mais uma vez o Pimentel deve explicações à Nação, mas o governo está blindando o seu ministro. Ele tem de explicar não só as suas lucrativas consultorias como esta viagem. Não sei quantas denúncias serão necessárias para que o governo, numa atitude republicana, afaste o ministro e lhe dê condições de se defender - argumentou o líder do PPS.
Em fevereiro deste ano, a Comissão de Ética decidiu analisar o trabalho de consultoria realizado por Pimentel entre 2009 e 2010, acatando a denúncia feita pelo PSDB, com base em reportagens do GLOBO, publicadas em dezembro do ano passado. O conselheiro Fábio Coutinho foi designado relator do caso, que deverá ser julgado na próxima reunião. Pimentel mandou explicações por escrito à comissão, mas o relator pediu novos esclarecimentos, enviados na última sexta-feira ao colegiado.
Depois de sair da prefeitura de Belo Horizonte e antes de entrar no governo Dilma, Pimentel faturou R$ 2 milhões em serviços de consultoria, metade paga pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), para assessoria na elaboração de projetos na área tributária e palestras nas dez regionais da entidade. As palestras nunca ocorreram.
As Bolsas estão no oitavo dia consecutivo de queda, revertendo a alta de mais de 20% no ano até março e atingindo índice negativo preocupante.
O dólar passou dos R$ 2, testando os limites de calibragem do câmbio e provocando questionamentos dentro e fora do governo.
O lucro da Petrobras no primeiro trimestre, de R$ 9,2 bilhões, é igual a 16% a menos que no mesmo período do ano passado. Como bem destacou o jornal "O Globo", a principal empresa brasileira "já perdeu um BB este ano".
A indústria, aliás, sente o golpe da conjuntura, com desaceleração e óbvio impacto negativo nas perspectivas de crescimento do país neste ano, que já não eram lá essas coisas.
E o índice de empregos, motivo de orgulho e tema de discursos de Dilma no exterior, inclusive na ONU, começa a dar sinais de recuo. O de São Paulo, "locomotiva do Brasil", é o menor desde 2006, ou seja, o pior da série histórica do IBGE.
Talvez como consequência, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) detecta uma redução no otimismo das famílias brasileiras, de 69 pontos em janeiro para 67 em abril, o índice menos animador (ou animado) do ano, com tendência de queda.
Por que estou listando tudo isso? Para você tirar suas próprias conclusões. Sim, o Brasil vai bem e tem fundamentos sólidos, mas não pode dar uma de alegre nem ignorar eventuais efeitos políticos. A inédita vaia que Dilma levou da marcha dos prefeitos foi por uma questão pontual (a distribuição dos royalties do petróleo), mas veio, no mínimo, numa hora ruim.
A crise na Europa está feia e tende a piorar, a China é uma interrogação e a reeleição de Obama nos EUA não está garantida. O Brasil, arrogante e dando lições, parecia passar ileso por todo esse ambiente de crise ou de insegurança. Pode ter se precipitado.
O mar não está para peixe.
Artigo publicado na Folha de São Paulo do dia 18/05/2012
Ainda bem que há na CPI do Cachoeira alguém como o deputado Miro Teixeira, que tem o bom senso de achar que é preciso correr atrás do que foi desviado, e que pela primeira vez isso vai ser feito. "Creio que perseguir o caminho do dinheiro e retomá-lo vai ser inédito", ele diz. "Follow the Money" foi o famoso conselho que os repórteres americanos Bob Woodward e Carl Bernstein ouviram de sua fonte, o Garganta Profunda, e graças ao qual desvendaram o escândalo de Watergate, que levou o então presidente Richard Nixon à renúncia da Presidência dos EUA nos anos 70. A estratégia pode servir aqui também. Descobrir o destino do dinheiro ajuda na investigação, e reavê-lo é fundamental como punição, porque o corrupto não tem medo nem do vexame nem da execração pública, nem mesmo da prisão, quando raramente isso acontece.Continue lendo.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Assim as várias interpretações do acontecimento-Brasil, tidas como clássicas, revelam o lugar social a partir de onde os muitos intérpretes leem e releem a nossa realidade. Simplificando a questão, quase de forma reducionista, diria que tudo começou já com a Carta de Pero Vaz de Caminha, com sua leitura ingênua, deslumbrada e paradisíaca do mundo novo que encontrou. Mas era a visão a partir das naves de Pedro Álvares Cabral, e não da praia dos indígenas.Continue lendo.
Há muitos anos, todos os chefes de Estado e de governo incorporaram em seus discursos a priorização das áreas de educação, ciência e tecnologia como absolutamente essenciais para assegurar o progresso econômico e social de forma sustentada. Pelos motivos os mais variados, na maioria das vezes, o discurso não veio acompanhado de decisões traduzidas em efetivo aumento orçamentário para estes setores. Continue lendo.
Não sei como anda a situação alhures, mas, pelo que observo nas ruas do Rio, uma importante mudança nos costumes está se processando: os rapazes estão deixando de usar bonés com a aba para trás. De repente, voltaram a usá-los com a aba para frente, que é o "normal". Parece o fim de uma tendência que, importada dos EUA, implantou-se maciçamente nos últimos dez anos e que nunca entendi. Não sou de usar bonés, mas, no passado, examinei alguns e concluí que a função da aba é a de proteger do sol que incide sobre a testa, o nariz e os olhos. Se se usa a aba para trás, ela só protege a nuca ou o colarinho, e não me consta que nucas ou colarinhos precisem disso. Você dirá que o assunto é irrelevante e que este espaço deveria estar sendo ocupado por temas mais momentosos, como as eleições na Europa, a queda de braço pelos juros no Brasil ou o respingo geral das denúncias sobre o Cachoeira. Pois eu responderia que, ao contrário dos temas citados, cuja importância é inegável, mas passageira, o uso de bonés com a aba para trás ou para frente define a condição humana, a nossa identidade e até o nosso senso de ridículo, ou a falta de. Nesses dez anos, vi não apenas milhões de skatistas, cantores de pagode e malabaristas de sinal com o boné para trás, mas também homens maduros, opacos, caretas e alguns, com nome a zelar, zanzando pelos calçadões com o boné enfiado sobre as orelhas e a aba apontando no sentido contrário ao de seus narizes. Eu me perguntava que mensagens eles queriam passar com seus bonés. Pois, assim como chegou, surgindo do azul, a moda parece ir embora, sem aviso ou explicação, e vamos todos atrás dela, em fila, como soldadinhos de corda. Na nossa pungente fragilidade, tememos tomar decisões isoladas. Precisamos do respaldo da maioria, até no jeito de usar o boné.
Artigo publicado na Folha de São Paulo do dia 11/05/2012